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Narguilé: a falsa sensação de pureza que vicia

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narguile

Nas redes sociais há tempos uma imagem passou a circular afirmando que o cachimbo árabe narguilé, também conhecido como cachimbo d’água, shisha ou hookah, é 100 vezes mais prejudicial ao organismo do que o cigarro. De acordo com o texto que acompanha a ilustração, o consumo representa riscos sérios à saúde.

Imediatamente surgiram textos contrários a tal afirmação. Será que essa história é real? Será que o narguilé faz mal mesmo?

O narguilé é vendido como peça de decoração e usado por jovens e adultos em festas e eventos sociais. O funcionamento desse cachimbo é bem simples: Ao aspirar o ar pela mangueira, o ar aquecido pelo carvão passa pelo tabaco, produzindo a fumaça que passa pela água (onde é resfriada e filtrada). A fumaça segue pela mangueira até ser aspirada pelo usuário e expirada logo em seguida.

Parece inocente. Mas o que muitos não sabem é que ele causa dependência e, em longo prazo, câncer de pulmão, boca e bexiga, aterosclerose e doenças respiratórias e coronarianas. E é verdade: em uma sessão de uma hora de uso do narguilé, é possível inalar o equivalente à fumaça de 100 cigarros ou mais.

A crescente popularidade do narguilé entre adultos jovens e adolescentes tem preocupado a saúde pública em todo o mundo: estima-se que cerca de 100 milhões de pessoas usam narguilé para fumar tabaco todos os dias no mundo de acordo com a pesquisa Reducing Hookah Use – “Um desafio para o século XXI”. No Brasil, a pesquisa Perfil do Tabagismo entre Estudantes Universitários no Brasil (PETuni), coordenada pelo Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA), analisou o consumo de narguilé entre estudantes da área de saúde. O estudo mostrou que dentre os estudantes que declararam consumir com frequência algum tipo de produto derivado do tabaco diferente de cigarro , 63% a cerca de 80%, respectivamente, fizeram uso do narguilé. Já outro estudo entre estudantes de medicina de uma Universidade em São Paulo mostrou que a experimentação de narguilé entre alunos do terceiro e sexto anos foi de 47,32% e 46,75%, respectivamente.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o tabagismo é a principal causa de morte evitável em todo o planeta. Seis milhões de pessoas morrem no mundo por ano devido ao uso do cigarro. E, somente no Brasil, 75% dos fumantes começam a fumar antes dos 18 anos. Adolescentes fumantes possuem alta probabilidade de se tornarem adultos fumantes. Quanto mais cedo a pessoa entra na dependência do tabaco, maior o risco de contrair câncer e outras doenças crônicas não transmissíveis. A entidade divulgou um relatório mostrando que os cachimbos de água são mais prejudiciais do que os cigarros normais. O coordenador do relatório, o americano Douglas Bettcher, ainda foi além e afirmou que uma hora de consumo do Narguilé equivale a 200 cigarros.

O estudo pode ser lido na íntegra (em inglês) neste link e é assustador verificar que, de acordo com a OMS, mais da metade dos cerca de 1,5 bilhão de fumantes do mundo irão morrer por causa da dependência aos diversos tipos de fumo – sim, o narguilé está no meio.

O uso frequente dos produtos derivados do tabaco causa também problemas de fôlego, mau hálito e envelhecimento precoce, mesmo em usuários adolescentes e jovens. O fumante passa a ter dificuldades de praticar esportes e outras atividades saudáveis de que gosta.

Um dos grandes riscos do narguilé é a intoxicação por monóxido de carbono — mesmo gás tóxico liberado pelos canos de descarga de automóveis — o que gera a redução da oxigenação do sangue e do cérebro. Os sintomas de intoxicação aguda por monóxido de carbono são inespecíficos e podem variar de fadiga, náuseas, e dores de cabeça à perda da consciência, desmaios, arritmias cardíacas, isquemia miocárdica e morte.

Um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Israel demonstrou que o envolvimento de usuários de narguilé em acidentes de transito é 40% maior do que os não usuários. O estudo concluiu que seu uso torna o ato de dirigir menos estável e mais perigoso devido à hipóxia cerebral (diminuição da oxigenação do cérebro) causada pelos altos níveis de monóxido de carbono inalado. O estudo também apontou que a hipóxia cerebral deixa as pessoas com fala arrastada, movimentos lentos, tonturas, leve tremor, falta de autocontrole, uma sensação de euforia, diminuição da visão e diminuição da capacidade de identificar cores. Esses efeitos tendem a se manter de quatro a seis horas depois do uso.

Além do uso de narguilé ser prejudicial à saúde, ele pode ser a porta de entrada para a dependência do tabaco e de outras drogas. Além disso, ao compartilhar o narguilé com outros usuários, a pessoa se expõe a hepatite C, tuberculose, herpes e outras doenças da boca.

No vídeo abaixo, em uma reportagem do Jornal do SBT (de 2011), Stella Martins, então Diretora do Programa de Atenção ao Tabagismo, explica a razão de tanto cuidado quanto ao uso do cachimbo de água:

Fonte: http://paraentender.com.br/

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