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Gaming Disorder: até que ponto a diversão vira doença?

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Pessoas de todas as idades, incluindo crianças e adolescentes, utilizam jogos digitais como forma de lazer.

Estima-se que mais de 3 milhões no mundo têm o hábito de jogar videogames e embora o jogo seja saudável e benéfico para a maioria, uma pequena minoria pode sofrer consequências significativamente negativas quando o seu jogo se torna excessivo.

Em 2018, a Organização Mundial de Saúde reconheceu a Gaming Disorder como um novo transtorno mental constituindo, oficialmente, na 11ª edição da Classificação Internacional de doenças (ICd-11).

Para se qualificar nesse diagnóstico, é necessário que uma pessoa que tenha jogado de forma persistente ou recorrente durante pelo menos 12 meses. Além disso, deve ter todas as seguintes características:

1) Perda de controle sobre início, frequência, intensidade, duração, fim, e contexto do jogo – Na maioria desses casos, a pessoa começa a jogar mais cedo, joga mais tempo do que planejou, não consegue parar de jogar na hora acordada, e acaba por jogar em situações em que deveria estar fazendo outras coisas.

2) Dar prioridade a um jogo ao ponto de ultrapassar outros interesses – Ou seja, o jogo acaba assumindo o controlo e torna-se mais importante do que as outras atividades como, dormir, comer, estudar, trabalhar, relacionar-se com familiares e amigos, etc.

3) Aumento na intensidade do jogo, apesar de consequências negativas – O padrão deste comportamento causa danos significativos nas esferas pessoal, familiar, social, educacional, profissional e outras.

E é através dessa ocorrência, de danos significativos relacionada ao jogo, que é possível evitar o diagnóstico errado em pessoas que jogam intensamente, mas de forma saudável. Já que essa é a realidade da grande maioria dos jogadores.

Quando se aplica essa lógica, é possível perceber que o tempo de jogo não é um critério essencial para diagnosticar o Gaming Disorder.

Já que não diferencia os jogadores com danos significativos daqueles que não são prejudicados por jogar, pois na realidade, algumas pessoas podem jogar em segurança durante 20-30 horas por semana, e outras podem ter problemas jogar durante um tempo muito mais curto.

E segundo as pesquisas, 1 a 3% da população é dependente em games, sendo os homens mais propensos que as mulheres, assim como pessoas mais jovens do que pessoas mais velhas.

Inclusive, estima-se que metade das pessoas com dependência em games também possuem outros problemas emocionais, tais como ansiedade social, déficit de atenção e até mesmo depressão.

Não podemos esquecer que o Games Disorder também está ligado a qualidade das relações familiares, ou seja, pessoas que possuem relações familiares menos afetuosas, com períodos muito curtos de tempo juntos e pouca proximidade entre pais e filhos tendem a elevar o risco no desenvolvimento de dependência de games.

Caso ocorra uma suspeita de que alguém esteja usando indevidamente os seus jogos, devemos ter o cuidado de não julgarmos e nem tentar diminuir a importância do games para essa pessoa. Visto que, esta é a atividade que ele considera ser a mais importante na sua vida.

O ideal é que os pais, inicialmente, tentem conhecer as características do jogo, que tarefas e missões desempenham, quem são os personagens, para assim, se conectarem melhor aos seus filhos.

E reconhecendo que há necessidade de tratamento, compreenda as necessidades psicológicas de cada pessoa e as causas que levaram ao desenvolvimento da maneira problemática do jogo.

É muito comum que adolescentes e jovens adultos não reconheçam que estão jogando de maneira prejudicial, e como resultado, não procuram ajuda ou não querem participar no processo de tratamento.

Nestas situações, é necessária uma abordagem terapêutica que inclua também outros membros da família.

Como regra, o objetivo do tratamento de um utilizador de um jogo digital é continuar a jogar moderadamente e não se abster de jogar a tempo inteiro (ao contrário do tratamento do álcool e outras drogas).