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Sinal amarelo para a maconha

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Segunda, 21 Julho 2014 09:45
Enquanto a indústria da cannabis legal cresce nos EUA, a Casa Branca se preocupa com o fato de os adolescentes desconhecerem os malefícios da droga, e o Uruguai adia seu projeto de legalização

 

Fabíola Perez

A indústria da maconha, recém-legalizada e com potencial bilionário, enfrenta os primeiros problemas de ordem prática nos Estados Unidos. A liberação do uso recreativo da erva nos Estados do Colorado e Washington tem feito os governos arrecadarem milhões em impostos cobrados em cima de uma das drogas mais populares do mundo. A criação de leis para regular o mercado e a elaboração de campanhas preventivas, entretanto, não seguem o mesmo ritmo. Estimativas da consultoria ArcView Market Research apontam que as vendas legais da maconha passarão de US$ 1,4 bilhão para US$ 2,34 bilhões neste ano. Mas o vigor do mercado despertou uma preocupação na Casa Branca: um relatório nacional sobre estratégias para o controle de drogas recém-divulgado mostrou que um dos desafios mais sérios da política do governo Obama nessa área é a percepção crescente entre adolescentes de que a maconha é pouco prejudicial à saúde. A revelação mostra a necessidade de acompanhar e fiscalizar uma indústria nova e historicamente irregular. “Como a droga está sendo legalizada, é natural que a percepção dos jovens sofra alterações”, diz Lucas Maia, pesquisador do Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas da Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unifesp). “O uso medicinal da maconha fez com que ela perdesse o glamour e deixasse de ser uma substância, sobretudo, ligada à rebeldia e à identidade de grupos.”

 

ALERTA Dos adolescentes que apresentam desempenho ruim na escola, 66% já fumaram maconha. Abaixo, loja onde a cannabis é vendida legalmente para maiores de 21 anos nos EUA

O documento foi publicado um dia após entrar em vigor em Washington a nova legislação para abertura das lojas que comercializam a droga. No Colorado, a substância é vendida legalmente desde o início do ano. Nos dois Estados, porém, vale a regra de que só pode adquirir maconha recreativa quem tem mais de 21 anos e em uma quantidade-limite de 28 gramas. Ainda assim, milhões de americanos mais jovens têm acesso à droga. As consequências disso, segundo o relatório, são negativas. Dos adolescentes que apresentam desempenho ruim na escola, por exemplo, 66% já fumaram maconha. Para o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, Cristiano Maronna, assim como todas as drogas lícitas, o uso da cannabis requer prevenção. “Uma das regras tem de ser dificultar o acesso a menores de idade”, diz. A previsão do governo Obama é destinar para o próximo ano US$ 25 milhões em políticas contra as drogas, mas as inovações da iniciativa privada exigem políticas eficientes para conter o consumo indiscriminado. “No Colorado, surgiram produtos comestíveis de maconha com altos índices de THC, composto mais potente da maconha”, diz Maronna. “Precisa haver uma preocupação em limitar a quantidade de THC na erva.”

Fonte: Revista Isto é

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