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Mais que um vício

Presente em dois a cada dez brasileiros, o alcoolismo é, sim, uma doença e pode ser facilitado por herança genética.
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Presente em dois a cada dez brasileiros, o alcoolismo é, sim, uma doença e pode ser facilitado por herança genética


As descobertas da pré-adolescência deram lugar a um problema que a auxiliar de enfermagem A.P., 52 anos, enfrenta até hoje. Aos 11 anos, a curiosidade fez esta moradora de São Bernardo – que pediu anonimato – ingerir um litro de licor em casa. “As bebidas ficavam à mostra. Tomei o licor e tive meu primeiro porre”, lembra.

Rodeada de parentes apreciadores de bebidas alcoólicas, do irmão dependente da bebida e do pai, que à época havia parado de beber, a experiência precoce serviu de alerta aos familiares da paciente atualmente em recuperação. A.P. faz parte dos 16% de brasileiros que consomem quantidades nocivas de álcool.

De acordo com a segunda edição do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pelo Instituto Nacional de Políticas Públicas do Álcool e Outras Drogas (Inpad) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), no Brasil duas em cada dez pessoas apresentam critérios para abuso e/ou dependência de bebidas alcoólicas.

Assim como a auxiliar de enfermagem, o publicitário A.C., 30 anos, também desde cedo conviveu em um ambiente em que o álcool se fazia presente. Com tios e o avô materno alcoólatras, além de um “tenso cenário familiar”, o também morador de São Bernardo passou parte da infância observando o movimento do bar administrado pelo avô paterno. “Perceber a euforia dos clientes me fazia ter vontade de pertencer ao mundo do homem adulto. Comecei a beber “profissionalmente” aos 13 anos, com os amigos”, declara.

A probabilidade de o alcoolismo se desenvolver cresce quando é geneticamente determinada. Assim, quem tem familiares de primeiro grau alcoolistas já inicia a vida com no mínimo 30% mais chances de ser um alcoólatra no futuro. Compartilhar do ambiente facilitador do uso de álcool, mesmo sem histórico do problema entre pais ou irmãos, também eleva esta propensão.

O alcoolismo vai além de um vício adquirido cada vez mais cedo e é considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que, de acordo com a entidade, é responsável por cerca de 4% do total de óbitos mundiais e supera enfermidades infectocontagiosas como Aids e tuberculose.

“Quase tudo o que se pensa em saúde pode ser produzido ou facilitado pelo abuso do álcool e em cada indivíduo a evolução assume características peculiares. Há pessoas nas quais tudo vai bem, exceto a memória. Em outros, todos os órgãos são atingidos e causa gastrite, cefaleia, desnutrição e vários prejuízos”, afirma Carlos Salgado, psiquiatra e membro do Conselho Consultivo da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead).

Mesmo com os homens entre a maioria dos doentes, as mulheres têm reforçado presença neste quadro. Para Arthur Guerra, presidente-executivo do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) e médico psiquiatra e especialista em dependência química do Grea – Programa do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas da Universidade de São Paulo (USP), as mudanças nos papéis sociais e o incremento da força de trabalho feminina justificam a observação.

“Entre elas, os problemas de consumo de álcool também são relacionados ao enfrentamento de emoções negativas causadas com o acúmulo de funções”, explica.

Fonte: Leia ABC

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